“Ao mesmo tempo que você consegue fazer eu te amar, você também tem uma grande capacidade de me fazer te odiar. Mas não é aquele ódio excessivo, é um ódio apaixonado, com aquela vontade de bater e ao mesmo tempo abraçar. É confuso, é engraçado, é estranho. Você tem essa capacidade de me fazer ciúmes com tanta facilidade, me irrita tão fácil. Você usa as palavras a seu favor, tornando-as uma arma contra mim. Você tem o prazer de dizer que olhou aquela pessoa bonita passar, só pra ver a minha reação, e depois olha pra mim com um sorriso discreto. Aquele sorriso de que aprontou algo. Você adora me provocar, e consegue fazer isso muito bem. Me deixa confuso, em dúvida entre o ódio e o amor. Mas uma coisa eu tenho certeza, ter conhecido você foi a melhor coisa. E apesar do destino com toda sua ironia, ele conseguiu unir eu e você. Ou melhor ‘nós’.”
Hoje eu acordei com medo, mas não chorei, nem reclamei abrigo. Do escuro, eu via o infinito sem presente, passado ou futuro. Senti um abraço forte, já não era medo, era uma coisa sua que ficou em mim e que não tem fim.
Sou tímida. Um montão de gente ri quando falo isso, mas sou tí-mi-da. Só quem me conhece a fundo sabe. É que sou o tipo de gente que todo mundo pensa que conhece. Mas se enganam feio. Pouquíssima gente me desvenda. Mostro só o que quero. Não por maldade, mas por proteção. A gente tem que aprender a se proteger. Das escolhas dos outros. E até mesmo das nossas próprias escolhas.
Sou meio estranha e já me conformei com isso. A gente não pode passar a vida brigando com a gente mesmo, senão fica aquela coisa de inimigo muito íntimo e isso é bem ruim. Eu sei que de vez em quando sou a minha pior inimiga, mas já entendi algumas coisas sobre mim, sei que preciso aceitar que o mundo é como é. Só que ainda vejo a vida com óculos de coração.